A província grita: #FORAFeliciano

“Com amor no coração / Preparamos a invasão / Cheios de felicidade / Entramos na cidade amada”…

Beshas, sapas, travas, bís, queers, vadias, estudantes, pretas/os, macumbeiras e macumbeiros, maconheiras/os, religiosas/os, crianças, adolescentes, jovens, pais, mães, famílias, artistas de coletivos e artistas de rua e independentes, intelectuais, ativistas, organizações LGBTs, organizações do movimento negro, organizações feministas, vereadoras, partidárias, anarquistas, cidadãs e cidadãos da maior diversidade e pluralidade possíveis, saíram as ruas da soterópolis nesse dia 10 em um só grito: #FORAFeliciano.

Imagem do Cristo envolvido pela bandeira da comunidade LGBT - Foto de Paula Fróes

Imagem do Cristo envolvido pela bandeira da comunidade LGBT

Eramos centenas, talvez milhares, mas não é apenas o número o nosso maior trunfo desse domingo. A diversidade da manifestação foi a nossa maior vitória. Ninguém pode mais negar, a força que têm as redes sociais como instrumento de mobilização de muitas pessoas.

Não estivemos lá contra nenhuma religião. Não ofendemos nenhuma religiosidade.

Protestamos e nos afirmamos hoje, na paz e pela paz, com felicidade e amor, contra o avanço do uso descarado da religiosidade e da fé das pessoas para propagar um projeto de poder do ódio, da violência, do acumulo de riqueza pelo teatro da enganação e da intolerância.

As vozes que estiveram nos últimos dias nas ruas foram protagonizadas pelas que não topam mais o avanço dos grupos defensores de uma “moral cristã”, que não cabe a maioria da população, sobre a nossa jovem democracia e suas instituições.

manifestacao2

Demos hoje os primeiros passos no caminho já tão esperado de uma grande unidade que defenda a finco e sem medo a centralidade que tem a laicidade estatal para a manutenção de um regime verdadeiramente democrático no Brasil.

É esta defesa, a defesa do Estado Laico, na contemporaneidade, que unifica movimentos LGBT, de negras/os, de mulheres, de anti-proibicionistas, de defensores do SUS, de defensores da Educação, de artistas, de militantes da Cultura e outros.

O projeto político conservador que se disfarça de crença religiosa, não pode mais avançar e nem se utilizar dos vícios de ilegalidades dos nossos sistemas políticos para se manter nos espaços de representação de poder.

As casas legislativas representam o povo. Se é verdade que lá estão os nossos representantes, não há mais como estas e estes dizerem que não nos viram e nem nos ouviram nas ruas nos últimos dias.

Nunca nos retiramos de lá, na verdade. As organizações, associações, grupos, coletivos, movimentos, nunca deixaram de usar, de maneira acertada, o espaço mais público e democrático que temos para nos expressar e melhor nos representar: a rua.

Desta vez, achamos o motivo, a razão, que nos levou de maneira feliz e indignada, solidária e revoltada, conscientes e inconformadas, a ir juntas lutar por algo que acreditamos.

Não aceitaremos a ditadura fundamentalista e fascista que pastores, ruralistas e conservadores estão tentando impor a nossa democracia.

O nosso primeiro grito e recado, juntas e juntos, foi dado.

E amanhã vai ser maior!
“Com a espada de Ogum / E a benção de Olorum / Como um raio de Iansã / Rasgamos a manhã vermelha/ … / Alto astral, altas transas, lindas canções / Afoxés, astronaves, aves, cordões / Avançando através dos grossos portões / Nossos planos são muito bons.”

Vinícius Alves é Secretário de Relações com os Movimentos Sociais da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT e militante da Esquerda Popular Socialista (EPS) da Bahia.

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